Terça-feira, Outubro 04, 2011

os filhos.

hoje uma amiga (daquelas do coração), gravida de não sei de quantas semanas (mas devem ser umas 33), confessava-me o medo de falhar nesta nova etapa. A de Mãe.
Ora eu apenas lhe posso mostrar a minha compaixão e solidariedade, porque esse medo, felizmente ou infelizmente ainda não me assistiu. Mas visto que o pirralho ainda respira pelo cordão umbilical e ainda não esta cá para nos moer o juízo, parece me que nesta fase estão a sofrer por antecipação. Esta é a minha visão do imbróglio:
Primeiro pensar bem na decisão, acho que ninguém esta verdadeiramente preparado para o que aí vem, mas e verdade que uns estão mais bem preparados que os outros. E também acredito que o corpo auto educa-se e alguém que nunca mudou uma fralda na vida, poderá virar o rei das fraldas logo na primeira noite.
Parto feito e criança cá fora é sempre a subir:

0-1 - é tipo tamagochi ou farmeville, é só nos certificarmos que não tem a fralda molhada, tem a barriguinha cheia, não tem cólicas e está fresquinho. E rezar para que não lhe doa nada, porque se doer, como ainda não fala, vai ser tão difícil de descobrir a anomalia como um carro na oficina.

1-4 anos - é certificar que não parte nada e não se parte a ele. normalmente aqui é que começa o casamento, os nervos dos pais são levados ao limite e o filho é dos dois, mas às vezes mais valia não ser de nenhum.

5-9 anos - começa a negociação. fazes isto que depois levas aquilo. aqui convém insistir com uns "nãos" (no hard feelings) senão ele vai pensar que os pasteis de massa tenra caem do céu e as vivendas com piscina vêm com os packs de leite da mimosa. ah! uns açoites no rabo também ajudam "a moldar a personalidade" como diz a mãe de uma amiga minha.

10-13 anos - "Estuda! Vai para o teu quarto estudar! senão não há playstation para ninguém!". Chega a altura que eles descobrem que a escola não é assim tão fixe, excepto os amigos e o recreio. Normalmente aqui começa a maratona em que os pais são escravos da vida social dos filhos, sai da escola e vai para o futebol, depois vai para a culinária para crianças e depois o karate. Depois troca e começa tudo outra vez. A era da negociação mantém-se. Aqui normalmente começam as festas de anos ao Sábado à tarde, felizmente, mais uma vez, os pais só fazem de motorista e não são convidados.

14-16 anos - começam as birras (ou melhor a chantagem emocional) para sair à noite e ir cinema com os amiguinhos, aqui o pai ainda faz de motorista mas quando os primeiros amigos tiram a carta, a viagem de volta já não e preciso. Aqui os valores e educação passados desde a infância começam a ser necessários para se ter algum juízo e não dar cabo da vida logo na adolescência. Normalmente aqui julga-se que os pais nunca tiveram a nossa idade e já nasceram com 40 anos. Foi nesta altura que eu questionei a minha mãe em tom de Júlia Pinheiro "Então quer dizer que eu sou grande para umas coisas e pequena para outras, éééé? É isso que me queres dizer?. Resposta da minha mãe: "Exactamente." e virou costas.
Na minha geração não, mas nesta geração acredito que alguns pais já comecem a por a pílula diluída nos Chocapics matinais.

17-21 anos - volta a etapa de não partir nada e não se partir a ele. Todas as 3h e 5h da manhã passam devagar, é rezar para que o telefone não toque a dizer que se espetou contra um poste e pedir aos santinhos para quando entrar bêbado em casa não partir o jarrão de 1915 oferecido pelo avô à avó.

22-25 anos - todo investimento que fizemos naquele pequeno ser começa a dar frutos. Ou fica até aos 33 na escola e na casa dos pais. Ou nem escola nem trabalho até aos 44. Ou fizemos um bom trabalho e ele tem cabecinha para tirar uma licenciatura ou não (porque também necessário haver padeiros) levantar o rabo do sofá e vai trabalhar para ganhar uns trocos.

26 -31 anos - esperemos que tenha trabalho, esperemos que tenha amor, esperemos que tenha amigos, esperemos que seja feliz, esperemos que não seja gay, esperemos que não seja do benfica e que não queira ir para os escuteiros depois de velho.

Mas esperemos sinceramente que nos reconheça valor.

Ser pai, ser mãe. Assim de repente nos tempos que correm deve ser o maior desafio da vida. Ainda não sou (nem sei quando serei - dava outro post) mas sei que tenho os melhores do mundo.

video

2 comentários:

Anónimo disse...

Vá, agora explica como é que se fazem os bébes! :-)

Anónimo disse...

http://wulffmorgenthaler.com/2011/10/03/

:))))))) You know!